sábado, 31 de março de 2018

Texto melhorado " Amigo Paulo"

O coração vai respirando o que o cérebro bate, martela em sons garrafais.
A alma vivência o lado da vida em que o corpo pressente o silêncio da morte.
Assim se ia Paulo, parceiro dos botecos, amigo das discotecas, fã da pescaria.
Nos momentos finais Paulo, já não vivia, provava do alimento sem degustá-lo, nem ao menos a cachaça armagurada ele sentia, apesar de tê-la trocado pelo etanol de seu Passat 78.
Paulo não ria, seu choro era audível nos olhos de quem o conhecia e numa inconstância de lucidez pensava em desistir.
Paulo era meu amigo, conhecido das noitadas mas também pelas amizades verdadeiras, dos amigos dos dias. E num dia de inverno eu o conheci, Paulo estava a cochilar na calçada da praça e a pinga era sua água. Naquele dia Paulo mormurava a piedade divina ele desejava.
Hoje ao escrever de suas falas eu lembrava, palavras que após anos foram transcritas na sua lápide já envelhecida.
Adeus Paulo meu amigo, desejo a Ti que suas palavras sejam realizadas e que nos céus que tú chegastes a pinga então seja menos amarga e que ela lhe trague a lucidez por você tão desejada. Que a pinga não seja de álcool mas que seja apenas metáfora que usaste para desejar lhe a paz que aqui em vida tua alma não alcancaste.

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