DEPRESSÃO
Inicio este artigo no dia 08/12/2017, não uso de instrumentos científicos,
de autores, ou de qualquer outra forma de conhecimento, alias só uso meus
sentimentos...meu coração.
Não pretendo nem formata-lo, minha intenção é lança-lo de forma
direta, sem rodeios, sem releitura, tendo o objetivo apenas de descrever os
sentimentos que me perturbam. Afinal escrever para mim é uma válvula de escape
e acredito que todos devem ter a sua.
Depressão para mim é um sentimento de tristeza persistente,
que quer afundar toda estima do indivíduo, somos sempre nossos piores inimigos,
nossos maiores desacreditadores, perturbamos o meio em que vivemos com energias baixas.
Tornei-me mecânico, no sentido da tristeza ser consolidada
em tudo que penso, e neste sentido trabalhar foi escapar da reflexão interna
que me leva a sofrer. Vivi para o
trabalho, respirei a atividade, a
produção. Pois parar para pensar doía, mesmo que sem sentido o raciocínio direcionado
a minha pessoa me fazia sofre, me faz.
Engraçado antes de iniciar este texto meu sentimentos eram
capazes de produzir quantidades sem fim sobre este tema, sinto que meu escape
ainda é eficiente, mas não posso escrever a todo o momento e me utilizar desta válvula
em todos ambientes.
Meu sentimento
transpassa a adolescência e me remota a infância, sempre me observei
como alguém que sofre demais, que tem energia de menos, que se subvaloriza, que
se esconde por temer ser rotulado de maneira errada, pois o que sinto realmente
não interessa a 99,99% das pessoas e fazem sofrer 0,01% das pessoas no universo a qual pertenço.
Percebo porém que até mesmo para as pessoas mais próximas e que conhecem parte
da complexidade do meu ser, já me tornei um fardo pesado.
Na minha ignorância me permito observar o passar dos anos
sem ter a força para mudar, apesar de não ter certeza no compromisso efetivo
sobre o dever de mudar. Sinto profunda frustração das pessoas para com minha
tristeza, mas minha autoestima é insuficiente para me impulsionar e provar o
contrário.
Acredito que pessoas alegres são simplesmente alegres
pelo fato de ser, assim como sou triste
pelo simples fato de ser.
Mecanismos cerebrais se concretizam em nossas ações,
recebemos informações a todo o momento e interpretamos das mais diversas
formas, a pessoa depressiva se sente excessivamente julgada, e por isso deve se
afastar de pessoas com instintos julgadores, pessoas que usurpam energia, mas
ao mesmo tempo me sinto ligados a essas pessoas e me neutralizo quase que
instantaneamente.
O deprimido se sente ilhado, pois ele é julgado de forma
intensa e por mais que faz e realiza não se sente valorizado, seu fardo pode
ser seu conhecimento, suas convicções
são bombardeadas pois nós a subestimamos até mesmo aquilo ao qual temos maior certeza,
e desta mesma maneira nossas dúvidas se tornam maiores e intensas, podendo assim
também ser subestimadas e deixarem de
ser duvidosas para serem reais ou inexistentes.
O depressivo, portanto não tem convicção, tem apenas
tristezas e uma vontade intensa de mudar, de modificar sua essência pois passa a
acreditar que seu eu é o seu pior inimigo.
Vivemos em um mundo de profundas mudanças e cobranças, o
depressivo acostuma as cobranças e sabem por precaução sabem se defender
emocionalmente, mas as mudanças arrebentam o depressivo, as jogam para o fundo
do poço.
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